As glândulas paratireoides são as guardiãs do cálcio do nosso corpo. Através da produção do paratormônio (PTH), elas garantem que os níveis de cálcio no sangue estejam sempre em equilíbrio, o que é vital para o funcionamento dos músculos, do coração e para a integridade do esqueleto. Quando há um desajuste nessas glândulas, as consequências podem afetar múltiplos órgãos de forma severa.
Hiperparatireoidismo: O Perigo do Cálcio Elevado
O distúrbio mais comum ocorre quando uma ou mais dessas glândulas tornam-se hiperativas. O Hiperparatireoidismo Primário frequentemente é silencioso em seu início, mas pode causar danos severos ao longo do tempo se não for tratado adequadamente:
- Cálculos Renais de Repetição: O excesso de cálcio filtrado pelos rins favorece a formação de “pedras”.
- Osteoporose e Fraturas: Para manter o cálcio alto no sangue, a glândula “retira” o mineral dos ossos, fragilizando a estrutura óssea, levando à osteoporose acelerada com alto risco de fraturas espontâneas.
- Sintomas Inespecíficos: Fadiga, dores musculares, desidratação, constipação e até alterações de humor ou confusão mental.
- Hipercalcemia Grave: Níveis muito elevados de cálcio podem levar à desidratação severa, insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, pancreatite e alterações neurológicas profundas, como confusão mental e coma (crise hipercalcêmica).
Hipoparatireoidismo e Deficiência de Cálcio
No outro extremo, a produção insuficiente de PTH (frequente após cirurgias cervicais) causa a hipocalcemia. Os sintomas variam de formigamentos e espasmos musculares (caimbras) até crises convulsivas. O manejo exige reposição precisa para manter o cálcio em níveis seguros sem sobrecarregar os rins.
O Diferencial da Investigação: Diagnóstico da Hipercalcemia
Nem todo cálcio alto vem das paratireoides. Nosso diferencial clínico está na investigação minuciosa para distinguir a origem do problema:
- Diagnóstico Diferencial da Hipercalcemia: Investigamos se a elevação do cálcio é causada por doenças das paratireoides ou por outras condições, como doenças granulomatosas, intoxicação por vitamina D, uso de certos medicamentos ou até associadas a tumores em outros órgãos.
- Diferenciação do PTH: Avaliamos se o excesso de paratormônio é um problema primário da glândula ou uma resposta secundária à deficiência severa de Vitamina D ou doença renal crônica.
- Localização Anatômica Confirmado o diagnóstico, precisamos localizar com precisão qual glândula está afetada. Além da ultrassonografia, exames como a Cintilografia e a Tomografia 4D muitas vezes são necessárias.
Estratégia Terapêutica: Da Vigilância às Técnicas Avançadas
Uma vez confirmada a origem do distúrbio e localizada a glândula definimos a conduta mais adequada para o perfil do paciente:
- Vigilância Ativa: Reservada para casos leves e assintomáticos que não preenchem critérios cirúrgicos imediatos. Realizamos um monitoramento rigoroso e periódico para garantir que a conduta conservadora permaneça segura.
- Cirurgia de Precisão: Através do mapeamento pré-operatório, a intervenção é focada na glândula alterada, permitindo uma recuperação mais rápida e maior índice de sucesso.
- Técnicas Minimamente Invasivas: Para pacientes com alto risco cirúrgico ou em casos específicos, podemos lançar mão de procedimentos como a Alcoolização ou a Ablação, que visam inativar o adenoma sem a necessidade de cirurgia tradicional.
- Controle Medicamentoso e Suporte: Nos casos em que a intervenção não é possível, utilizamos fármacos modernos como os calcimiméticos, que auxiliam no controle direto do PTH e do cálcio, além de suporte clínico focado na proteção da massa óssea e prevenção de cálculos renais.
Cuidar das paratireoides é proteger sua função renal e a estrutura do seu esqueleto.
Se você apresenta alterações nos níveis de cálcio ou PTH, ou possui histórico de pedras nos rins, estamos à disposição para uma investigação técnica profunda.









